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Redimensão Dos Espaços Urbanos E os Polos Tecnológicos

domingo, 26 de julho de 2009 |

Indagações circundam a órbita do desenvolvimento humano, na tentativa de suprir demandas oriundas de uma nova fase na história da humanidade, atingindo dimensões cada vez maiores, mediante crises de mercados nacionais e internacionais, e a maneira mágica de promover desenvolvimento rápido, efetivo e sustentável.
Assim sendo, as cidades se modificam formando verdadeiras redes de interfaces múltiplas e interativas se harmonizando em contextos cada vez mais complexos mas supostamente promotores de progresso. Como bem destaca Michael Porter, em “On competition”:
“Surgem aglomerados, singularmente definidos como: “agrupamento geograficamente concentrado de empresas inter-relacionadas a instituições correlatas numa determinada área, vinculadas por elementos comuns e complementares”(PORTER, 1999, p. 211).
Erasmo Gomes, em seu trabalho “Imaginário e realidade em torno aos parques e pólos tecnológicos: elementos para reflexão”(2001),  constata a tendência das políticas de inovação no âmbito dos países industrializados, no sentido da descentralização e fortalecimento das iniciativas locais e regionais e esta  tendência é refletida também no Brasil pela criação de mecanismos  dirigidos a promover o estreitamento da relação universidade-setor produtivo destacando a estruturação de arranjos institucionais denominados pólos tecnológicos - que se destinam a apoiar o esforço inovativo de pequenas empresas de base tecnológica.
Fundamenta sua argumentação com referências brasileiras que caminham para  uma ação deliberada de articulação entre agentes públicos e privados criando mecanismos político-institucionais supostamente capazes de ativar um modelo virtuoso que reuna condições de dinamizar o desenvolvimento industrial e econômico local/regional, ancorado na atividade de pequenas empresas de base tecnológica. Diz o ilustre mestre:
“...é preciso considerar as especificidades que a experiência dos países periféricos e brasileira encerram, as quais impõem limites à tentativa de transposição de modelos inspirados, principalmente, nos paradigmáticos casos norte-americanos de Silicon Valley e Route 128”(GOMES, 2001).
Em Curitiba, apresenta-se a variedade de países investidores em unidades produtivas do CIC e Parque Tecnológico, bem como um estudo para implantação de um Tecnoparque nos próximos anos
2. Metodologia
         Para todos os efeitos, empregar-se-á a pesquisa bibliográfica e pesquisa de campo para coleta de dados.           
3. Desenvolvimento
         Em termos de literatura internacional, bem colocada a inserção de Michael E. Porter, em sua obra, "Competição: estratégias competitivas essenciais (On Competition)", que constitui-se em  compilação dos influentes trabalhos do autor publicados na Harvard Business Review com  idéias recentes sobre a competitividade e sobre a maneira como as empresas conquistam uma posição de vantagem competitiva em decorrência da sua atuação na esfera mundial. Os ensaios desenvolvem temas consistentes como : a chave para a rentabilidade e para o crescimento é a demarcação e o constante aprimoramento de uma posição competitiva diferenciada; a prosperidade decorre da habilidade de aumentar continuamente a produtividade; e uma parcela substancial do processo social deriva, principalmente, das inovações no setor privado (PORTER, 1999). Em seus artigos incluem-se importantes discussões como a forma pela qual as forças competitivas moldam a estratégia que é estratégia; da  vantagem competitiva à estratégia corporativa; a vantagem competitiva das nações; aglomerados e competição: novas agendas para empresas governos e instituições; a vantagem competitiva dos centros urbanos; Desvantagem de capital: o decadente sistema de investimentos de capital nos EUA. E ao referir-se às empresas japonesas, acrescenta afirmando que o sucesso das  mesmas se deve à sua capacidade e especialização na "criação do conhecimento organizacional", difundindo-o na organização como um todo e incorporando-o a produtos, serviços e sistemas. Acrescenta ainda que as mesmas utilizam-se da criação do conhecimento para transformar crises econômicas em oportunidades competitivas. Um modelo universal sobre como uma empresa deveria ser administrada, com base nas práticas gerenciais encontradas no Japão, Oriente e Ocidente pode ser traçado. Comenta ainda que  é preciso indicar a  estrutura organizacional mais propícia à criação do conhecimento;  Indica um estudo comparativo da questão do conhecimento nas tradições filosóficas do Oriente e  apresenta um  novo modelo gerencial, em que os gerentes de nível médio têm o papel central, gerenciando o processo de criação do conhecimento, tomando a iniciativa de envolver tanto os gerentes em cargos altos quanto os funcionários da linha.
            No posicionamento de Maurício Guedes e Piero Formica, em “A economia dos parques tecnológicos” há  especial atenção ao sentido teleológico da implantação de parques tecnológicos, quais sejam os que se destinam a entender a sua natureza complexa, mas que de modo algum devem escapar do alcance objetivo de análise, apresentando alguns de seus problemas mais específicos em realidades já configuradas, no sentido de identificar a capacidade de apontar vantagens competitivas e criatividade no desempenho das mesmas, estabelecendo conexões que possibilitem a compreensão das redes que conectam atores a seus papéis, no palco da economia. Não se exclui de forma alguma, a complexidade de tais temas, visto que envolvem os liames da organização como a gerenciadora de processos produtivos, que objetivam mais sucesso em seus desempenhos, e fazer frente às perspectivas de mercado. A possibilidade do estabelecimento de modelos é igualmente discutida especialmente em termos de tecnologia e de conhecimento dos agentes e sistemas, o gerenciamento de incertezas por metodologias que analisem impactos, mas que principalmente posicionem criticamente a efetividade do sistema como um todo, em termos de investimentos, problemas oriundos destes sistemas e a forma como podem ser administrados e direcionados para resultados mais condizentes com os interesses individuais das organizações e coletivos (GUEDES; FORMICA, 1997). Ainda na visão de José Carlos Barbieri  em seu artigo “Pólos tecnológicos e de modernização: notas sobre a experiência brasileira”, observa-se a articulação do discurso,  por intermédio de um paradigma referencial que alinha a questão da articulação das empresas, centros de P&D, universidade e governos como um dos mais importantes instrumentos de desenvolvimento regional e local da atualidade, como quer esclarecer Barbieri (1994).Tem-se igualmente evidencias de sua preocupação com a questão da modernização que tais concentrações tecnológicas poderiam promover junto a uma alocação de recursos mais efetiva de recursos e agentes, envolvendo as instituições de educação, políticas e administrativas, na tentativa de harmonizar forças e promover o desenvolvimento mais direcionado à participação e envolvimento de seus agentes ou atores, resguardando a questão das competências, mas não como mera experiência (incubadora), e sim como investimento potencialmente capaz de gerar modelos e diretrizes para a consecução específica de planos e metas articuladas de forma estratégica, estabelecendo uma melhoria na qualidade tecnológica e de agentes que a manipulem, pela modernização de recursos da produção, coordenação destas condicionantes e variáveis pelo entendimento de que possa haver uma cultura regional híbrida, minimizando possibilidades de prejuízo e reconceituando os valores essenciais ao bom desempenho institucional das organizações pela apresentação de resultados efetivos (BARBIERI, 1994).
            De acordo com Maria E. Lunardi, em sua obra “Parques tecnológicos: estratégias de localização em Porto Alegre” há uma  concepção de realidade em termos de desenvolvimento propiciado pelo surgimento de cidades tecnológicas, "tecnóploles" em arenas nacionais e internacionais, voltando-se principalmente, para a região sul do Brasil, ( Florianópolis, Curitiba).
            Especificamente em Curitiba, observou-se a multiplicidade de países investidores no CIC (Circuito Industrial de Curitiba), e Parque Tecnológico, a partir da implantação em 1973, através de dados fornecidos pela Companhia de Abastecimento de Curitiba (2004), em mapa georeferenciado das empresas estrangeiras nestes espaços. O critério foi o registro das cartas de intenções fornecidas ao Poder Público, de controle desta instituição. Chega-se à conclusão de que das treze empresas investigadas no Parque de Software, apenas uma é estrangeira (IMPSAT- ARGENTINA). Das 4620 empresas constantes deste cadastro, há 140 empresas de capital estrangeiro, incluindo a última mencionada, onde se percebe a abertura de espaços para o mercado internacional em proporções ainda de liderança nacional, ocupados  por países como EUA, Alemanha, Itália, França, Portugal, Espanha, Argentina, Japão, Suécia, Holanda, Inglaterra, Áustria, Bélgica, Canadá, Chile, Dinamarca, e Noruega em ordem de classificação quanto ao número de empresas. A pesquisa limitou-se ao ano de 2002, sabendo-se que modernamente já existem inclusões de outros investidores como Israel, Suíça, ainda não pertencentes a este estudo, realizado no mês de  maio último pelo autor.
            Em suas considerações sobre fatores globalizantes e contextuais, na tentativa de estabelecer de maneira lógica, uma interpretação objetiva das variáveis, antecedentes e perspectivas, com relação as realidades já configuradas no meio social, Lunardi observa  sempre que possível, os aspectos da viabilidade, sustentabilidade de sistemas tecnológicos, na tentativa de se modernizar as unidades produtivas, em termos de concentração de recursos escassos, e promover o desenvolvimento de forma a fazer frente às demandas econômicas crescentes em termos de bens e serviços analisando modelos preexistentes e voltando-se para as possibilidades em termos de estratégias possíveis de serem traçadas pelo entendimento objetivo dos cenários onde estão inseridos e a relação entre seus protagonistas (LUNARDI, 1997) .
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4. Conclusão
            Percebe-se com clareza certa preocupação com o envolvimento das comunidades locais, no sentido de prestar serviços às organizações  que formam os pólos tecnológicos, pela implementação de medidas efetivas de avaliação de perfis locais, para que se possa minimizar os impactos sociais, pelo desenvolvimento coordenado de dados que possibilitem a obtenção de informações, apontando sempre que possível, indicadores que configurem uma realidade específica, de forma a incrementar as políticas e estratégias, sem no entanto consentir a possibilidade de erros com relação a implantação de parques tecnológicos em locais não apropriados. Ainda assim, o conceito de espaço bem ocupado, torna-se bastante relativo, porque existem razões intrínsecas de determinados contextos sociais, que escapam do entendimento dos intérpretes destas relações, sendo determinados na dinâmica do tecido social, em tempo real, o que afasta muitas vezes a possibilidade de provisão e conhecimento de realidades configuradas, visto que se transformam, de acordo com as demandas e leis mais severas de mercado, qual seja a da oferta e procura de novas frentes de renda e trabalho.
             Em recorte de jornal datado de  21 de janeiro de 2004, observou-se através de estudo policial, a questão da segurança ofertada pelos meios de transporte em Curitiba. E ao criar novas frentes de trabalho, a exemplo do CIC, um contra-senso absoluto se mostra, ao apontar o mesmo, como o lugar de maior índice de criminalidade em Curitiba (CAVALLARI, 2004). A questão de redimensionamento destes espaços é ainda delicada devendo haver especial atenção dos planejadores urbanos quanto a  questão social.
Referências
BARBIERI, José Carlos. Pólos tecnológicos e de modernização : notas sobre a experiência brasileira. Revista de Administração de Empresas. v. 34, n. 5, p.21-31, set./out., 1994.
CAVALLARI, Patrícia. Viajando com o medo.  Tribuna do Paraná, Curitiba-Pr,  21 jan. 2004. p. 08.
GOMES, Erasmo. A experiência brasileira de pólos tecnológicos: uma abordagem político-institucional. Campinas: UNICAMP, 1995. 143 p. Dissertação (mestrado em política científica e tecnológica) - Instituto de Geociências. Universidade Estadual de Campinas, 1995.
GUEDES, Maurício; FORMICA, Piero. A economia dos parques tecnológicos. Rio de Janeiro: ANPROTEC, 1997. 359 p.
LUNARDI, Maria Elizabeth. Parques tecnológicos: estratégias de localização em Porto Alegre, Florianópolis e Curitiba. Curitiba 1997. 90 p.
PORTER, Michael E. "Competição: estratégias competitivas essenciais (On Competition)" . Rio de Janeiro: Campus, 1999.
REVISTA PROJETO DESIGN, IPPUC,  p.90 , Novembro,1999.
Ibid.  p. 70, Março, 2002.

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